O mercado imobiliário segue em um momento de leitura estratégica. Enquanto alguns segmentos enfrentam pressão por juros, vacância e custos elevados, outros avançam impulsionados por novos investimentos, mudança no perfil de consumo, retomada do crédito e busca por ativos mais eficientes.
No panorama desta semana, o cenário mostra movimentos importantes no mundo, no Brasil, no Paraná, em Santa Catarina e também em Orlando, um dos destinos mais acompanhados por investidores brasileiros nos Estados Unidos.
Mundo: tecnologia, juros e novas dinâmicas globais
O mercado imobiliário global vive uma fase de contrastes. De um lado, os escritórios tradicionais ainda enfrentam desafios relevantes, com espaços vazios elevados e um grande volume de dívidas a refinanciar. De outro, os data centers seguem em forte expansão, impulsionados pela inteligência artificial e pelo aumento dos investimentos das grandes empresas de tecnologia.
Nos Estados Unidos, os juros continuam em um patamar elevado, o que mantém a compra de imóveis mais seletiva. Mesmo com certa estabilidade nas taxas de hipoteca, muitos proprietários que financiaram imóveis em períodos de juros baixos evitam vender, reduzindo a oferta disponível no mercado.
Na Europa, o setor imobiliário mostra sinais de recuperação, com maior volume de transações, juros relativamente mais estáveis e retomada da emissão de dívida imobiliária. Já na China, a crise do setor segue pressionando o mercado, com queda acumulada nos preços dos imóveis e impactos ligados ao caso Evergrande.
Enquanto isso, mercados emergentes como Vietnã, Indonésia e Índia continuam atraindo capital estrangeiro, apoiados pelo crescimento urbano, aumento da classe média e novas oportunidades de desenvolvimento imobiliário.
Brasil: crédito caro, mas mercado em expansão
No Brasil, a Selic voltou a cair e chegou a 14,25% ao ano, após novo corte do Copom. Apesar disso, o crédito imobiliário ainda segue caro, com taxas acima de 11% ao ano nos principais bancos. Mesmo nesse cenário, a expectativa é de crescimento no volume de financiamentos em 2026, especialmente com recursos da poupança e do SBPE.
Os preços residenciais também mostram um ritmo mais moderado. O FipeZap registrou alta de 0,42% em maio, com avanço acumulado de 1,96% no ano, abaixo do mesmo período de 2025. Esse movimento indica um mercado menos acelerado, mas ainda ativo.
Outro ponto importante foi a queda do IGP-M em junho, índice usado como referência em muitos contratos de aluguel. A desaceleração pode trazer alívio em reajustes e contribuir para negociações mais equilibradas entre proprietários e inquilinos.
O Minha Casa Minha Vida também passou por mudanças relevantes, com nova Faixa 4, ampliação dos tetos dos imóveis e aumento do prazo de financiamento. A construção civil, por sua vez, cresceu 2,9% no primeiro trimestre e segue como um dos setores que mais geram empregos formais no país.
Além disso, os lançamentos imobiliários tiveram forte avanço no início de 2026, enquanto os fundos imobiliários voltaram a ganhar atenção com a perspectiva de queda gradual da Selic.
Paraná: Curitiba valoriza e novos polos ganham força
No Paraná, Curitiba continua em destaque entre as capitais brasileiras. A cidade teve forte valorização em 2025 e o preço médio do metro quadrado segue pressionado por fatores como escassez de terrenos em regiões centrais, mudanças no perfil de moradia e limitações urbanísticas.
Bairros como Campo Comprido, Ahú e Centro chamam atenção pela valorização. O Campo Comprido teve alta expressiva no preço do metro quadrado, enquanto o Ahú superou o tradicional Batel em valorização, indicando uma redistribuição de interesse dentro da capital.
Outro movimento importante é o crescimento dos estúdios e apartamentos compactos. No primeiro trimestre de 2026, quase 70% dos apartamentos verticais lançados em Curitiba se enquadram nesse perfil, refletindo a busca por moradias mais práticas, bem localizadas e alinhadas a novos hábitos urbanos.
Em Pinhais, o Parc Autódromo surge como um dos maiores projetos urbanos do estado, com previsão de torres residenciais, terrenos, áreas corporativas e espaços comerciais. A proposta reforça uma tendência de requalificação urbana em áreas estratégicas da Região Metropolitana de Curitiba.
A mobilidade também aparece como fator de valorização. O programa PRO Curitiba prevê bilhões em investimentos até 2028, incluindo o BRT Leste-Oeste, que deve impactar bairros localizados no traçado do projeto.
Santa Catarina: litoral aquecido e interior ganhando atenção
Santa Catarina segue como um dos mercados imobiliários mais fortes do país, especialmente no litoral. Balneário Camboriú mantém a liderança nacional em valorização, com preço médio do metro quadrado acima da média brasileira e um mercado cada vez mais voltado à liquidez e à negociação estruturada.
Com a escassez de terrenos em Balneário Camboriú e Itapema, cidades vizinhas como Balneário Piçarras e Penha vêm ganhando protagonismo no segmento de alto padrão. Incorporadoras e investidores acompanham essas regiões de perto, atraídos por disponibilidade de terrenos, potencial de valorização e demanda crescente.
Joinville também vive um momento forte, com recorde em lançamentos e vendas residenciais verticais. O preço médio dos apartamentos novos subiu, enquanto o estoque disponível caiu, sinalizando um mercado aquecido e com boa absorção.
Florianópolis mantém liderança entre as capitais em valorização, com preço médio acima de R$ 12.600 por metro quadrado. Regiões nobres, como Jurerê Internacional, continuam registrando altas expressivas em imóveis maiores.
Além do litoral, a Serra Catarinense começa a atrair mais investimentos imobiliários. Com metro quadrado mais acessível em comparação ao litoral, a região aparece como uma nova aposta para empreendimentos residenciais e investidores que buscam oportunidades fora dos polos mais consolidados.
Orlando: mercado mais favorável ao comprador
Em Orlando, o mercado imobiliário começa a mostrar sinais de mudança. As taxas de hipoteca nos Estados Unidos recuaram para o menor patamar em sete semanas, o que pode estimular parte da demanda no fim do verão americano.
Pela primeira vez desde a pandemia, o mercado do Centro da Flórida passou a favorecer mais o comprador. Há um número maior de imóveis com preço reduzido e muitos deles estão anunciados há mais de 60 dias, abrindo espaço para negociações mais estratégicas.
O estoque também aumentou na região metropolitana de Orlando, enquanto a valorização anual dos imóveis desacelerou. O preço mediano gira em torno de US$ 389 mil a US$ 395 mil, indicando um mercado mais equilibrado em comparação ao ritmo acelerado observado entre 2021 e 2023.
Os brasileiros seguem relevantes no mercado da Flórida, embora tenham perdido uma posição no ranking de compradores estrangeiros. Ainda assim, o volume investido continua expressivo, reforçando a conexão entre investidores brasileiros e o mercado imobiliário americano.
Orlando também vive um ciclo forte de desenvolvimento, com dezenas de bilhões de dólares em projetos anunciados ou em andamento. Novos empreendimentos residenciais, construtoras ativas e projetos de grande escala, como Sunbridge, reforçam a expansão da cidade.
Outro ponto de atenção para investidores é o mercado de locação. Os aluguéis em Orlando tiveram queda pela primeira vez em anos, o que exige uma análise mais criteriosa para quem compra imóveis com foco em renda mensal. Além disso, as regras para aluguel de curta temporada seguem restritivas em algumas áreas, tornando essencial avaliar a localização e a regulamentação antes de investir.
Conclusão
O mercado imobiliário segue em transformação. No cenário global, tecnologia, juros e crédito definem o ritmo dos investimentos. No Brasil, a queda da Selic ainda não barateou significativamente o financiamento, mas o setor continua em expansão. No Paraná e em Santa Catarina, valorização, mobilidade, novos polos urbanos e escassez de terrenos seguem moldando o comportamento do mercado.
Em Orlando, o cenário muda de tom: o comprador ganha mais poder de negociação, o estoque cresce e os investidores precisam observar com atenção as regras de locação, o comportamento dos aluguéis e os novos ciclos de desenvolvimento da cidade.
Mais do que acompanhar preços, o momento exige leitura estratégica. O mercado continua ativo, mas cada região pede uma análise própria.
